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WWE: Unreal é legal, mas falso

WWE tenta vender a produção como algo verdadeiro e legítimo, mas tudo parece roteirizado para favorecer a narrativa.

Reprodução: WWE/Netflix
Reprodução: WWE/Netflix
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A palavra “falso” nunca se deu bem quando o assunto é Pro Wrestling. Ela sempre veio carregada de ódio e, na grande maioria das vezes, aparece em discussões envolvendo fãs. Mas talvez, em 2026, tenhamos chegado o mais próximo dessa palavra ter algum sentido no âmbito do Wrestling.

Você pode estar se perguntando o motivo (ou talvez já saiba, afinal está no título), e ele é bem claro para mim: chama-se WWE: Unreal.

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Assisti à segunda temporada esta semana e é tudo muito interessante. Jogo de câmeras, bastidores, entrevistas, tudo aquilo que de fato não vemos na programação comum da WWE na TV. Para o fã casual, isso pode parecer incrível — afinal, quem não quer conhecer os bastidores da maior empresa de Pro Wrestling do mundo?

O real problema surge quando tentam vender algo como verdade, como um documentário real, mas que, lá no fundo, é cheio de roteiros. A WWE, e o Pro Wrestling em geral, sempre foram chamados de “falsos” por pessoas de fora, muitas vezes por ignorância sobre o produto — e nós sempre defendemos. O motivo? Como algo pode ser falso se nunca foi dito que não era roteirizado? Que nunca foi dito que não era combinado?

Lutadores de Pro Wrestling se preparam como verdadeiros atletas, dão tudo de si pela indústria. Isso faz com que o produto não seja “falso”, e é por isso que sempre o defendemos. Agora, vender um documentário — algo sério — como realidade nua e crua? Isso sim é mentira.

A série começa mostrando a história de Becky Lynch, como ela se tornou mãe e como isso afetou sua carreira na WWE. O primeiro episódio aprofunda alguns pontos, como a forma como seu retorno aconteceu na WrestleMania. Os episódios seguintes exibem como tudo foi preparado para o combate entre Cody Rhodes e John Cena, além do grande cash-in de Seth Rollins.

E talvez seja nesses episódios que fique evidente como a WWE organizou tudo: o que seria permitido ir ao ar e o que não seria. Os momentos são tão editados e selecionados que, na maioria das vezes, a ordem cronológica apresentada pela série se torna confusa.

Como a WWE precisava transmitir uma imagem de bastidores onde nem tudo é perfeito, foram incluídas algumas cenas até interessantes, como quando Triple H dá um esporro em LA Knight, ou quando Seth Rollins volta para a posição Gorilla após a lesão fake no Saturday Night Main Event.

O problema é que nada tem profundidade. O documentário passa sempre uma sensação de distanciamento com o público, aquela impressão de “isso foi mostrado porque eles quiseram me mostrar”. Algo que faz sentido nos shows semanais, mas não em um documentário, onde você quer se aprofundar, saber mais sobre uma reunião criativa ou entender como a Bayley realmente ficou após ser excluída de última hora da WrestleMania.

Há outros momentos que, por obviedade, mereciam mais cobertura. Mas adivinha? A WWE não quis mostrar — por motivos que todos nós conhecemos. Estou falando do retorno de Brock Lesnar. Ele teve alguns minutos de tela, com um corte abrupto logo após o fim do combate entre Cena e Rhodes, quando apareceu na posição Gorilla — e foi só.

Existem vários motivos para afirmar que Unreal é falso. Aliás, nem mesmo as estrelas da WWE queriam a realização do projeto. Se você não vive em uma bolha, deve ter notado que, desde o ano passado, a grande maioria foi contra a produção. Seth Rollins já afirmou que, se não quer mostrar algo, simplesmente pede para não gravarem. Mais um ponto que confirma que a narrativa é controlada… isso não é documentário.

Mas afinal, é tudo fake? Obviamente que não. Porém, a forma como apresentam tudo torna a experiência rasa e constrói uma narrativa feita sob medida para mostrar apenas aquilo que eles querem.

Além disso, tudo que poderia gerar polêmica ou discussão externa é removido ou mal aproveitado. E, se a narrativa é controlada, então é falso. Não estou dizendo que não podemos ter esse tipo de documentário — aliás, existem vários hoje que funcionam exatamente assim.

A própria Netflix já produziu diversas obras que favorecem a narrativa que desejam contar, e não a realidade nua e crua.

WWE: Unreal é muito bom. Mas dizer que é verdade, ou que representa a realidade de como as coisas são nos bastidores da WWE, é o mesmo que, em pleno 2026, ainda achar que Pro Wrestling não é roteirizado.

Como já disse Bryan Alvarez: “Aquele programa é uma farsa. É claro que há aspectos reais ali. Mas, se você acha que o programa não é moldado para mostrar apenas o que eles querem mostrar — e nada além disso —, pense de novo.”

O problema? A forma como tudo isso é apresentado aos fãs.